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3 dias perfeitos em Lisboa

Maria Kirsten Adelmann
Por Maria Kirsten Adelmann20/06/2023 10 minutos de leitura
Elétrico amarelo e branco numa estrada entre edifícios de pedra de cor clara, com pessoas nas proximidades
Fotografia: Unsplash/Aayush Gupta

Um fim de semana prolongado em Lisboa é suficiente para explorar os melhores bairros da cidade, desde as estreitas calçadas de Alfama e as maravilhas do final do período gótico de Belém até à praia e aos bares do Cais do Sodré. Conseguirá, ainda, saborear o marisco, maravilhar-se com artefactos antigos e dançar até de madrugada.

Pode parecer muito para apenas três dias, mas o itinerário que se segue não é, de todo, uma canseira. Adicionámos intervalos para recuperar energia enquanto aprecia as vistas (como um jantar acompanhado pelo famoso fado) e organizámos dias por localização, para que não ande em ziguezague pela cidade. O melhor de tudo é que lemos imensas avaliações no Tripadvisor para saber de que é que os viajantes mais gostam, pelo que pode ter a certeza de que encontrará os destaques.


DIA UM

Pessoas a caminhar ao longo da ponte para o castelo de pedra
Castelo de São Jorge; Fotografia: Tripadvisor

MANHÃ: um elétrico vintage e a fortaleza

Se tivéssemos apenas uma hora em Lisboa e poucos euros no bolso, entraríamos no icónico elétrico 28 amarelo. Este famoso elétrico transporta os viajantes pelas ruas acidentadas acima de Alfama e para vistas mais além. Contudo, não é exatamente um segredo, por isso, entre a bordo cedo, na primeira paragem, Martim Moniz, para evitar um elétrico lotado – e, talvez, até consiga apanhar um dos assentos de madeira. Desfrute das ruas estreitas e sinuosas e das vistas, mas tenha atenção aos carteiristas.

Saia nas Portas do Sol para uma verdadeira experiência de Lisboa: uma subida ardente a uma vista panorâmica. No topo da colina, terá a recompensa das vistas panorâmicas da cidade e um castelo mourisco do século XI. Aqui é fácil passar uma hora ou mais, a explorar o Castelo de São Jorge e as suas muralhas, a absorver as vistas e a tentar tirar a fotografia perfeita de um dos muitos pavões que aí residem.

O que os viajantes dizem: "O n.º 28 é um elétrico antigo dos anos 30, remodelado, que percorre as estreitas ruas de Lisboa pela área de Alfama sem parar. Adorei o charme das caraterísticas originais: pisos em madeira, interior com painéis de madeira e janelas de caixilho antigas. É uma viagem acidentada e há momentos em que as casas estavam tão próximas que, literalmente, podíamos inclinar-nos para tirar as roupas estendidas a secar nas varandas." —@Mairwen1

TARDE: um charmoso labirinto medieval

Está com fome após o exercício matinal? Perto da entrada do castelo, encontrará a Miss Can Petiscaria, que serve encantadoras latas de conserva de peixe português. Compre pão estaladiço para um festim ao estilo de tapas e considere comprar algumas latas extra para levar como recordação.

Depois de reabastecer, passeie pelas ruas medievais de Alfama rumo a sul em direção ao mar (tecnicamente, o estuário do rio Tejo). Se um passeio sem objetivo não é do seu agrado, dirija-se à Sé de Lisboa, uma imponente igreja do século XII na orla oeste do bairro.

OPÇÕES DE EXCURSÕES EM ALFAMA/CENTRO HISTÓRICO

  • Chegue com fome para esta verdadeiramente fantástica e muito saborosa excursão a Alfama de três a quatro horas, que combina a história da cidade com petiscos locais, tais como a sardinha, o chouriço e o pastel de nata.
  • Se o labirinto de ruas de Alfama for demasiado para si, opte por esta excursão de bicicleta elétrica de três horas, que abrange o bairro e as colinas, tudo sem destruir os músculos. Bónus: as excursões têm um limite de 15 pessoas para uma experiência mais pessoal.
  • Tem pouco tempo? Esta excursão de 90 minutos em Segway é uma forma divertida e eficiente de ver a colina de Alfama sem se cansar.

NOITE: jantar e fado

Alfama é conhecida pelo fado, um estilo de música portuguesa composto em parte pela guitarra clássica e em parte por vocais enlutados (e está incluída na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO). Para ouvir algumas canções, faça uma reserva no Sr. Fado de Alfama, um restaurante familiar que, tal como muitas casas de fado, serve de local para jantar. O vinho tinto e o guisado de marisco são saborosos, mas a música é a verdadeira estrela.

Desvios que valem a pena ao longo do caminho

DIA DOIS

Praça com pessoas sentadas à volta de uma grande estátua de um rei a cavalo e um arco de pedra
Praça do Comércio; Fotografia: Tripadvisor

MANHÃ: um arco, um elevador e um terramoto

Comece a manhã na Praça do Comércio, na Baixa, o centro histórico de Lisboa. O tamanho da praça é impressionante; está entre as maiores praças públicas da Europa e parece estender-se diretamente até ao mar.

Explore a praça e, em seguida, atravesse as seis colunas de pedra do Arco do Triunfo e passeie rumo a norte pela rua Augusta, a rua com mais lojas da Baixa. A sua primeira paragem é o neogótico Elevador de Santa Justa, uma forma criativa de se deslocar do bairro da Baixa até ao Bairro Alto. Tecnicamente, o elevador é um transporte público, por isso, se tiver um bilhete de viagem de 24 horas, pode viajar gratuitamente para desfrutar de uma vista agradável. No entanto, as filas podem ser longas, pelo que talvez prefira subir a colina a pé.

No topo do elevador, encontrará o Museu Arqueológico do Carmo, as ruínas de uma igreja destruída pelo catastrófico terramoto de 1755 em Lisboa. Recompensa pagar a simbólica tarifa de entrada e uma hora do seu tempo para conhecer e aprender alguma da história.

Depois, dirija-se à animadaPraça do Rossio (ou Praça D. Pedro IV), com a sua coluna de Pedro IV, duas fontes e uma calçada acidentada. Mesmo ao virar da esquina, encontra A Ginjinha, um ponto clássico para experimentar um shot de ginjinha, o licor de ginja que os locais adoram.

TARDE: arte, artefactos e algumas sebes importantes

Venha à hora do almoço, faça uma viagem de metro de 15 minutos até à Maria Peixeira para saborear frutos do mar, tais como o polvo e o bacalhau. Nas proximidades, encontra-se indiscutivelmente o melhor museu de Lisboa: o Calouste Gulbenkian, uma coleção eclética privada de artefactos antigos egípcios e gregos, mobiliário francês do século XVIII e pinturas do século XX. (NOTA: ao contrário da maioria das outras atrações de Lisboa, esta está aberta à segunda-feira e encerrada à terça-feira.)

Em seguida, caminhe pelos jardins do museu até ao Parque Eduardo VII, que desce a colina até à Praça Marquês de Pombal. Desfrute da vista deslumbrante a partir da extremidade norte e, em seguida, caminhe pelo ziguezague de sebes perfeitamente cuidadas. Se as compras de luxo estão na sua lista de atividades imperdíveis em Lisboa, a Avenida da Liberdade, ladeada por árvores, a sul do parque, é o local ideal para as fazer.

OPÇÕES DE EXCURSÃO NO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN

  • Transfira a aplicação Gulbenkian com antecedência para obter uma excursão de áudio gratuita com os destaques do museu. Se se esquecer de levar os seus auriculares, a aplicação também tem descrições escritas.
  • Se viajar em grupo, considere reservar uma excursão guiada privada. Escolha entre opções que abranjam as exposições permanentes, as exposições especiais e até o edifício e os jardins.

O que os viajantes dizem: "Vale a pena só pela secção egípcia no início; o Museu Calouste Gulbenkian tem uma coleção muito bem organizada que ilustra a distinção subtil do colecionador. Há obras muito bonitas de alguns antigos mestres e uma coleção interessante de mobiliário histórico francês, todos expostos de forma intencional." —@ davidpatricia21

NOITE: uma saída noturna no Bairro Alto

Entre no transporte público e dirija-se para sul até ao Bairro Alto, um bairro conhecido pela sua vida noturna agitada, boutiques e restaurantes excelentes. Passeie um pouco e, em seguida, dirija-se ao A Nossa Casa, um pequeno restaurante que serve petiscos deliciosos, a versão portuguesa das tapas.

Após o jantar, terá muito por onde escolher: bares baratos, música ao vivo, clubes de jazz. O cenário é um pouco mais suave quando se dirige para norte em direção ao bairro Príncipe Real. Gostamos do Cinco Lounge, que oferece cocktails criativos e vibrações descontraídas.

Desvios que valem a pena ao longo do caminho

DIA TRÊS

Torre de pedra impressionante rodeada de água
Torre de Belém; Fotografia: Tripadvisor

MANHÃ: monumentos marítimos em Belém

Inicie a manhã na Torre de Belém, uma torre do século XVI e um monumento aos navegadores portugueses que parece flutuar no rio Tejo. Sendo um exemplo típico da arquitetura gótica portuguesa, faz parte do Património Mundial da UNESCO, que também inclui um mosteiro. Embora seja mais impressionante do exterior, é divertido espreitar o interior se as filas não forem demasiado longas.

Em seguida, caminhe junto à água até ao Padrão dos Descobrimentos, um monumento maciço em forma de proa dedicado ao Infante D. Henrique, o Navegador (tão alto que há uma plataforma de observação no topo). Aqui pode passar facilmente uma hora, a tirar fotografias, a observar o mar e a admirar as 33 estátuas de importantes figuras históricas do monumento. Se preferir não subir à Torre de Belém, saiba que a vista daqui é, talvez, ainda melhor, com linhas mais curtas e um ângulo particularmente impressionante da ponte suspensa 25 de Abril.

TARDE: ode do gótico tardio a Vasco da Gama

Para almoçar, relaxe com tapas e tacos na rulote de comida à beira-mar Mister Tapas e, em seguida, caminhe até ao Mosteiro dos Jerónimos, construído em homenagem ao explorador português Vasco da Gama. Visite o ornamentado mosteiro e a igreja adjacente, onde pode visitar os túmulos de Vasco da Gama e do poeta português Luís de Camões. A entrada na igreja é gratuita, mas necessita de um bilhete para o mosteiro. Considere comprá-lo com antecedência, uma vez que as filas podem ser longas (embora, menos durante a tarde, depois de os grupos de excursões terem terminado).

Quando tiver absorvido a sua dose de esplendor de gótico tardio, dê alguns passos até aos Pastéis de Belém para visitar mais uma das imperdíveis atrações de Lisboa: os pastéis de nata. Aqueles que aqui são oferecidos são amplamente considerados os melhores de Lisboa.

O que os viajantes dizem: "Recomendo vivamente que se visite primeiro a igreja [no Mosteiro dos Jerónimos], pois isso proporciona um bom contexto para o próprio mosteiro. Por falar nisso: é glorioso. Os claustros são magníficos, com oportunidades de fotografias incríveis em cada canto." —@ProsperoDGC

OPÇÕES DE EXCURSÕES EM BELÉM

  • Esta excursão de bicicleta de 4,5 horas percorre o centro da cidade de Lisboa até Belém, com paragens em pontos essenciais, tais como os pastéis de nata. É também uma das excursões mais baratas da cidade e o percurso plano não exige resistência ao nível da Volta a França.
  • Se gosta de autonomia, mas não quer perder uma única atração, a Free Tours by Foot tem uma excursão a pé autoguiada que abrange os maiores sucessos de Belém.
  • Não gosta de andar de bicicleta? Não aguenta mais caminhar? Aprecie o mar! A excursão de duas horas Lisbon Sunset Sailing Tour é uma das favoritas dos viajantes do Tripadvisor e inclui vinho português, comentários e, se tudo correr bem, um pôr do sol espetacular, tudo isto passando pelos destaques de Belém.

NOITE: noite na cidade ao estilo de Lisboa

Suba a bordo do elétrico 15 para uma viagem de 25 minutos até ao Cais do Sodré, uma zona de festas com ambiente de praia. Desfrute de um passeio pela água antes do jantar no Time Out Market Lisboa, um espaço de restauração com mais de duas dezenas de bancas de alguns dos melhores restaurantes e bares de Lisboa. Não consegue escolher? Não se vai arrepender dos croquetes na Croqueteria.

Quando quiser, não se precipite, pois a hora da festa é tardia em Lisboa, instale-se num bar na Pink Street. A nossa escolha é a Pensão Amor – anteriormente, um bordel, agora decorado com frescos e veludo – onde pode provar cocktails, assistir a um espetáculo burlesco e ouvir música ao vivo. Se ainda está a pé às duas da manhã, tente a sua sorte numa discoteca. O MusicBox está mesmo ao virar da esquina ou pode apanhar um táxi para o local mais famoso de Lisboa, o Lux.

Desvios que valem a pena ao longo do caminho

Saiba antes de ir


Com um clima ameno entre os 16 e os 21 °C, a primavera e o outono são as estações perfeitas para visitar Lisboa. Pode ficar asfixiante no pico do verão e, em agosto, algumas lojas e restaurantes estão encerrados. Contudo, apesar do calor, a cidade continua repleta de turistas nos meses de verão e os preços dos hotéis são elevados: afinal de contas, existem praias e o animado mês festivo de junho é uma grande atração.



Muitas atrações turísticas estão encerradas às segundas-feiras.



Lisboa mantém-se animada até tarde, com restaurantes normalmente abertos desde cerca do meio-dia até às 22:00 ou 23:00 para jantar. Os bares costumam ficar abertos até às duas da manhã, altura em que pode sempre saltar para uma discoteca e festejar até às seis da manhã. O horário de funcionamento das lojas é, normalmente, das 10:00 às 19:00.



Alfama (centro histórico): encantador, central e relativamente sossegado, o labirinto de pedra de Lisboa de um bairro antigo é uma experiência por si só. Uma boa opção aqui é o Santiago de Alfama, um hotel boutique com estofos de veludo e vistas para o mar. Além disso, o elétrico 28 atravessa a rua e o Castelo de São Jorge está praticamente no seu quintal.

Bairro Alto: os hotéis no boémio Bairro Alto e arredores costumam ficar mais caros à medida que avança para este, em direção ao bairro da moda do Chiado, e mais acessíveis à medida que vai para sul, até à área de vida noturna repleta de albergues do Cais do Sodré. A Casa das Janelas com Vista, situada numa rua sossegada, é uma boa opção intermédia. Os quartos são simples e modernos e as áreas comuns são tão acolhedoras que será como ficar em casa de um amigo, especialmente ao pequeno-almoço numa sala apropriadamente chamada "A cozinha".

Avenida da Liberdade: sim, o EPIC SANA Marquês oferece vistas incríveis a partir das espreguiçadeiras junto à piscina, mas os hotéis de alta qualidade não são a única opção perto desta rua de compras de luxo. A área também é um refúgio para albergues, provavelmente porque está ligeiramente fora do caminho. O Lisboa Central Hostel pode não ter um bar no terraço, mas é uma escolha económica adorada graças aos seus belos beliches e ambiente agradável. Além disso, não é assim tão fora de mão: os elétricos e os autocarros ficam nas proximidades e o metro fica a 10 minutos a pé.



Transportes públicos: devido às encostas íngremes de Lisboa, os turistas utilizam frequentemente os autocarros, elétricos, elevadores e o metro da cidade, os quais estão bem interligados. Os bilhetes podem ser comprados diretamente a bordo, mas, muitas vezes, é mais económico obter um bilhete de 24 horas para viagens ilimitadas. Cuidado com os carteiristas, especialmente em linhas movimentadas como o Elétrico 28.

De bicicleta: andar de bicicleta numa Lisboa montanhosa não é para os fracos de coração. Se gosta de andar de bicicleta, mas os seus músculos não estão à altura da tarefa, experimente a agradável (e plana!) ciclovia ao longo do rio ou uma excursão guiada de bicicleta elétrica. A Gira é a principal aplicação de partilha de bicicletas da cidade; os preços são acessíveis e existem bicicletas clássicas e eletrónicas disponíveis.

De táxi: os táxis em Lisboa são mais baratos do que noutras grandes cidades europeias, desde que o condutor siga o trajeto mais direto. Encontra praças de táxis na maioria das praças principais, mas também pode chamar um táxi. Além disso, as aplicações de partilha de boleias, como a Free Now, a Bolt e a Uber, podem oferecer preços mais baratos e tarifas garantidas.

Transfers do aeroporto: o Aeroporto Internacional de Lisboa (LIS), ou Aeroporto Humberto Delgado, está bem ligado ao centro da cidade através do vaivém Aerobus, do metro e dos autocarros públicos, que partem a intervalos regulares durante todo o dia e custam poucos euros. As viagens costumam demorar cerca de 30 minutos, embora dependam do local da sua estadia. Para um táxi, conte pagar, pelo menos, 20 euros.